Existem certos problemas que por natureza podem ser perfeitamente identificados e previstos com recurso à estatística. Por exemplo, as companhias de seguros sabem com uma elevada margem de certeza qual o prémio a cobrar por um seguro para não perder dinheiro. Mas existem outros aspectos da nossa vida com baixo grau de previsibilidade, por mais que se esforcem os analistas. Para certas coisas da vida impera a incerteza do subjectivo ou, ainda pior, a inter-subjectividade - o resultado imprevisível das interacções entre várias pessoas numa determinada situação na vida real.
As coisas complicam-se quando falamos de prestar cuidados de saúde a uma população, onde as variáveis de oferta e procura seguem padrões de consumo atípicos. Por exemplo, o tabagismo. Podem subir os preços dos impostos associados ao tabaco, mas nem por isso desce o consumo do cigarro. Alguém no seu perfeito juízo ingeria uma lata de sardinhas que colocasse em letras garrafais "a ingestão deste produto pode provocar doenças mortais"? E, no entanto, os comportamentos de risco, como fumar, ou certos hábitos alimentares ou comportamentais, podem estar na origem de elevadas taxas de mortalidade na população.
Enquanto algumas pessoas acreditam que a nomeação de pessoas competentes, munidas de sólidos conhecimentos em gestão e amparadas pela Lei, podem fazer acontecer resultados em saúde, existem outras que são mais cépticas. Será dentro de este último grupo que encontramos as pessoas apostadas em lançar uma segunda vaga de "laboratórios vivos" ou Living Labs, que contam já com 51 membros pertencentes à ENoLL (European Network of Living Labs).
O conceito de "Living Lab" foi desenhado para instilar a inovação assegurando a participação de todas as partes envolvidas num novo produto ou serviço, incluindo os seus utilizadores finais, nas várias fases de concepção do mesmo. Este processo de desenho co-participado que é mais complexo e difícil de gerir resulta finalmente num grau de adopção das soluções encontradas muito mais eficaz, evitando-se desperdícios e por vezes até conflitos junto da população abrangida por esses novos serviços ou produtos. A chave do processo está num entendimento mais profundo das necessidades dos utilizadores e de uma maior oportunidade de comunicar junto dos mesmos os benefícios de uma ou outra solução que é encontrada.
O conceito de "Living Labs" nasce sobretudo nos países nórdicos, pela mão de empresas privadas como a Nokia, que são muito atentas às necessidades dos seus consumidores. Inicialmente versando sobre os aspectos da engenharia tecnológica, os "Living Labs" diversificam o seu âmbito também para as ciências sociais. Esperamos que em breve em Portugal se possam dar os primeiros passos na área da Saúde. Se está interessado em colaborar, contacte-nos!
Para mais informações visite:
http://www.openlivinglabs.eu
Você precisa ser um membro de Hospital do Futuro para adicionar comentários!
Join Hospital do Futuro