LARES DE IDOSOS E CASAS DE REPOUSO
Passada que parece estar a euforia dos Cuidados Continuados que motivou uma autêntica corrida às camas a atribuir pela Unidade de Missão, qual corrida ao ouro noutros tempos, é possivel que alguns investidores se dediquem a uma área abandonada e com extraordinárias possibilidades de negócio: os lares de idosos e casas de repouso.
Na realidade os cuidados continuados parecem estar a invernar. Primeiro porque era uma das maiores bandeiras da positiva estratégia do Prof. Correia de Campos, deixando de se falar após o seu abandono do governo (não basta a paixão da responsável da unidade de missão, é preciso que essa paixão seja partilhada ou pelo menos apoiada pela tutela e isso não parece acontecer). Segundo porque o interesse das instituições sociais e de solidariedade terá sido abrandado por se perceber que esta área requeria capacidade profissional, gestão capaz, regras de cumprimento rigoroso e que não bastava passar umas quantas camas de lar de idosos a cuidados continuados para que fossem atribuidas as comparticipações e se constituissem novas unidades. Sabe-se que, de facto, estas unidades não são sustentáveis com menos de 60 camas e requerem uma equipa profissionalizada capaz de fazer a sua gestão, o que não existe na maior parte dessas Instituições, não pondo em causa o papel brilhante que têm na área social. Terceiro porque os grandes grupos receiam que se repita o maior problema que existe no país: abertura do "negócio" aos privados e concorrência incorrecta do sector publico que, sem saber o que fazer às camas desocupadas, encontrará rápidamente nos cuidados continuados forma dos administradores das EPE conseguirem os seus prémios de produtividade. Devemos reconhecer que as regras não são claras e a iniciativa privada não pode arriscar a investir em unidades de raiz, de grande qualidade para logo a seguir nascerem, como cogumelos, unidades, ali mesmo ao lado dentro dos actuais hospitais publicos, agora EPE, a concorrerem deslealmente.
Se esta paragem no investimento nos cuidados continuados é negativa para a reforma do sistema de saude, poderá vir, finalmente a abrir o investimento nos lares e casas de repouso.
Esta área necessita de passar à primeira linha da discussão do envelhecimento. Necessita de passar a ser considerada uma parte integrante do sistema nacional de saude e olhada de uma forma mais objectiva por todos, incluindo os investidores.
A oferta actual é essencialmente das Instituições de solidariedade e na parte privada praticamente "doméstica": vivendas remodeladas com uma ou duas dezenas de camas, com inumeras deficiencias e sem qualquer visão estratégica. A unica alteração a este quadro surgiu com o modelo das residências de vida independente que tarda a demonstrar a sua sustentabilidade e adequação às necessidades. Não existe um modelo intermédio que responda às necessidades e procura da classe média e que possa ser rentabilizado sem mensalidades extarordináriamente elevadas e fora da realidade nacional.
É pois altura dos investidores olharem para esta área. Não será necessário repetir todas as transformações sociais que irão surgir nos próximos anos em consequência do envelhecimento.
Os lares de idosos são um investimento muito atraente na área da saude desde que se percebam alguns pressupostos: lares com capacidade para mais de 80 pessoas, com áreas determinadas para residentes independentes e dependentes sem que isso requeira espaços arquitectónicos separados e com um modelo inovador de gestão que inclua nova atitude na prestação de cuidados e novas dinâmicas na oferta de serviços. Um lar não vale pela arquitectura que apresenta mas pelos serviços que presta. Faltará depois o passo seguinte: conjunto de lares que partilhem os mesmos serviços externos, com criação de unidades centrais comuns.
Começam a surgir indicadores de que a iniciativa privada está interessada em entrar nesta área e se isso depender da existência de técnicos qualificados e novos modelos de gestão é bom saber-se que existe já um enorme numero de pessoas capazes de assegurarem a qualidade e a rentabilidade do investimento. O trabalho que a Associação amigos da Grande Idade está a desenvolver na área da formação de técnicos e o interesse demonstrado por instituições e cidadãos garante alguma esperança para este sector.
Blog de Rui Manuel dos Santos Fontes
Surpreendentemente o Jornal Publico de segunda-feira passada dedicou um titulo de primeira página às Pessoas Idosas, tratando-as como sempre por “Idosos” (termo masculino que não designa correctamente as pessoas Idosas). Mas o assunto dizia respeito a Pessoas Idosas com HIV positivo e a dificuldade de colocar estas pessoas em Lares de idosos.
No trabalho que vou desenvolvendo na área da Grande Idade tenho sentido essencialmente que existe uma grande incapacidade da comunicação social em contrib…
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Postado em 2 dezembro 2009 às 1:43 ‚Äî
5 Medidas para um envelhecimento de futuro e
com futuro para Portugal
1. CONCEITO
Como é do domínio público a AAGI – ID, tem como objectivo discutir o
modelo de prestação de cuidados e oferta de serviços às Pessoas da
Grande Idade. Este é também um dos objectivos do Mundo Sénior que
desenvolve actualmente uma parceria com a Associação. Entendemos que
são necessárias novas dinâmicas e ofertas inovadoras que permitiram
mais qualidade aos mais adultos, como forma de manterem durante mais
a…
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Postado em 16 setembro 2009 às 9:20 ‚Äî
No passado fim-de-semana fomos alertados por mais uma bombástica noticia sobre Idosos: o fecho de um Lar de Idosos privado, perto de Rio Maior, onde se encontravam 120 residentes num espaço que tinha sido autorizado para 40 residentes. Não só a lotação era escandalosa como as condições de higiene eram desadequadas ou inexistentes, o que justificou também a intervenção da ASAE.
Esta iniciativa foi considerada de tamanha importância que teve presente o Exmo. Senhor Presidente do Instituto de Segu…
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Postado em 5 agosto 2009 às 2:25 ‚Äî 1 Comentário
Li, recentemente, uma noticia sobre o projecto de construção de um Lar de Idosos muito curioso, que me deu vontade de partilhar com outras pessoas. Dizia assim, a noticia:
“O Palácio do Farrobo, em Vila Franca de Xira, pode estar próximo da recuperação. O edifício histórico deverá ser transformado num Lar de qualidade para a terceira idade. O Lar terá capacidade para 60 pessoas em regime de residência, com refeitório, uma piscina e várias hortas em volta para manter os utentes em actividade.…
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Postado em 23 julho 2009 às 0:28 ‚Äî 5 Comentários
CHOCANTE E PREOCUPANTE
No âmbito do trabalho que realizo na Associação Amigos da Grande Idade – Inovação e desenvolvimento (www.associacaoamigosdagrandeidade.com), tive a oportunidade de ler o Relatório da Primavera 2009, publicado recentemente, que é um dos mais importantes documentos que anualmente nos permitem verificar como está o estado da saúde em Portugal. O meu trabalho foi analisar o capitulo que diz respeito ao Envelhecimento e faço hoje esta abordagem com o simples objectivo e…
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Postado em 23 junho 2009 às 19:24 ‚Äî
Caixa de Recados (9 comentários)
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Quando se refere às necessidades das pessoas idosas no seu domicílio ou institucionalizadas, a que se refere, mais especificamente? Neste sentido, conversarei com a minha orientadora de tese, abordando a sugestão, de modo a avaliar-se a possibilidade de seguir esse caminho. Solicitava-lhe, deste modo, que mencionasse mais especificamente as necessidades a que se referiu, para poder conversar com a minha orientadora numa base mais concreta.
Agradeço-lhe a frontalidade e só assim se poderá tratar seriamente os assuntos sérios, não é verdade?
Eu penso recolher a minha amostra nos mais variados locais, nomeadamente nos que referiu e não limitar-me à Unidade de Saúde de Coimbra, ou outras unidades que sirvam o efeito, até porque quanto mais variada uma amostra for, mais valor estatístico terá. Isso só acontecerá se dentro do tema da qualidade de vida, se abordar, por exemplo, a depressão em idosos institucionalizados. Por ainda estar com dúvidas em relação a que caminho tomar, é que lhe agradeço bastante a preciosa ajuda, por ser alguém que está tão por dentro do assunto e ciente das dificuldades das pessoas idosas.
Uma vez mais agradeço a disponibilidade e apoio! Se for do seu interesse o tema final da minha tese e prestar apoio nesse sentido, tenho todo o gosto e interesse em reunir-me com a associação.
Aguardo, então, a sua resposta à questão que lhe coloquei, em relação às necessidades das pessoas idosas, para falar com a minha orientadora e contactá-lo novamente.
Com os melhores cumprimentos
Catarina Portela
Presentemente, encontro-me a concluir o Mestrado em Psicogerontologia Clínica, pelo que estou a iniciar o processo da tese e dois estágios. A minha tese incidirá no instrumento WHOQOL-OLD (World Health Organization of Quality of Life), no âmbito da avaliação da qualidade de vida das pessoas idosas. Ainda está por decidir se serão associadas outras variáveis como a ansiedade ou depressão nos idosos institucionalizados. Tal dependerá, em parte dos meus locais de estágio, que são na Unidade de Saúde de Coimbra - Clínica Fernão Mendes Pinto e no Hospital de Tomar, onde assistirei a consultas de psiquiatria e onde procederei à avaliação neuropsicológica.
Estou, portanto, a contactá-lo no sentido de o informar acerca do meu tema de tese e disponibilizá-la posteriormente. Ainda, num futuro próximo, terei de começar a recolher sujeitos para amostra, no âmbito do processo de investigação, e gostaria de saber se seria possível, caso fosse viável, recolher parte da amostra no Lar de Idosos SBSI/SAMS.
Por último, sei que se realizará a 19 e 20 de Novembro, em Lisboa, o primeiro evento público da Associação Amigos da Grande Idade. Saberá dizer-me onde serão disponibizadas mais informações, tais como o local?
Um muito obrigada!
Com os melhores cumprimentos,
Catarina Portela
Gostaria de avançar uma proposta para minha participação no evento a realizar no próximo mês de Novembro. Pedia-lhe o favor de analisa-la e comentar a sua pertinência (ou não) para ficar integrada no programa do encontro.
A minha ideia seria falar sobre as origens dos dispositivos arquitectónicos que contêm o programa de residência colectiva para a terceira idade, desde os inícios da clínica no século XVII até as residências contemporâneas, incluindo alguns casos de estudo actuais. O guião provisório da comunicação poderia ser:
HOSPITAL OU MORADA? As origens e fixação dos dispositivos arquitectónicos de residência colectiva para idosos.
1. A génese dos equipamentos com programas de cuidados de saúde.
2. O paradigma dos sanatórios.
3. A fixação do programa de residência para idosos. Gestão versus convivência.
Obrigado.
Alberto Montoya
Em Junho passado falou-me num dos seus comentários no blog da possibilidade de fazer um evento em Outubro sobre a grande idade.
Agora que estou de volta das férias, gostaria de saber se o evento vai para o frente. Se for assim, existe a possibilidade de propor um tema relacionado com a minha área, a arquitectura, e mais concretamente sobre a tese que estou a desenvolver sobre as residências para idosos.
Fico a espera da sua resposta. Obrigado pela atenção.
Alberto Montoya
O caminho faz-se caminhando...
Quero dizer-lhe que o admiro muito pela sua luta em prol dos idosos, sobretudo pela competência e desassombro com que trata todos os temas que aborda.
Já estive em posição de observar que destacados técnicos da Segurança social, com experiência no terreno, têm uma visão próxima da nossa e antagónica aos centros de decisão.
O que nos falta é levar " a carta a Garcia " ou seja: dizer aos políticos que existem formas diferentes, mais económicas, mais interessantes e sobretudo muito mais úteis para cuidar os nossos idosos.
É necessário tratar diferentemente o que é diferente, potenciando as valências apropriadas a cada grupo concreto, fazendo a descriminação positiva que cada situação impõe.
Um abraço
Carlos Neves
Eu é que agradeço.
Naquilo que puder, tenho todo o gosto em participar e contribuir.
Farei a tese no próximo ano e ainda não sei com que tema...mas estou a pensar em algo relacionado com a qualidade de vida e maus-tratos, a idosos. Agradeço o interesse! Assim que puder contribuir com a minha tese, contactá-lo-ei.
Com os melhores cumprimentos,
Catarina Portela
Maria João Esperança
Após 8 anos de trabalho a tempo inteiro nesta área, estou em fase de reflexão e elaboração de um relatório critico da actividade que tenho desenvolvido. Acho que as representações sociais criadas em relação aos lares e idosos são por si só forma subtis de incompreensão, exclusão e negação social. Se não houver na nossa mente espaço para continuarmos a acreditar nas potencialidades dos outros e o fecharmos com palavras lares asilos e velhos estes indivíduos de idade avançada acabam por desistir delas próprias. Mas acho que a questão vai para além da idade porque na saúde mental indíviduos jovens caiem em imobilidade, passividade, incapacidade de ter um projecto de vida e também ficam remetidos aos lares asilos. Penso mesmo que o inviduo que caiu na demência após depressões e perdas teve algumas "razões emocionais" para isso.
Mas isto são meras reflexões após alguns anos na área, nada têm de cientifico.
Espero poder trocar algumas ideias consigo e desde já o reforço da motivação para poder pensar as coisas pela experiencia do relacionamento com as pessoa que é a verdadeira ciencia do ser humano.
Até Breve
Rui Neves